Por Carlos Giordano Jr.

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domingo, 15 de abril de 2007

Na pizzaria do Lula

Por Carlos Giordano Jr.


Não é sempre que passo por lá. Mas quando tem promoção, eu não resisto.

Lugar de famosos intelectuais barbudos, passou a ser ponto de encontro para bate papos sobre tudo o que se passa neste próspero e desesperado país.

O pizzaiolo, anfitrião simpático e também barbudo é o próprio que deu nome ao local. Ontem tinha destaque o cartaz na porta: “Pizza BMG” – Pague uma e leve 5.

- Ô Lula, ocê exagerou nesse cartaz.

- Que nada, a maioria lê e nem se dá conta. E emendou... - Você nem acredita, mas é o segundo que notou. Vendi uma pra um tal de Neto, e o cara tava meio puto. Acho que ele não gostou do recheio.

- Claro Lula, quem experimenta, é certeza ter uma enorme indigestão.

- Que vai querer?

- Desce uma gelada aqui no balcão, por enquanto.

- É agora mesmo, patrão, e se quiser senta e vai aperitivando aí no banco da Rural. Quase se matando de rir, me apontou um banco velho, todo roto, que colocara propositadamente ali no canto do salão, junto com o corotinho de cachaça.

A turma tava lá e a prosa era essa...

- Vocês acham que o presidente não sabia?

- Dá licença, bicho. Deu com uma mão, tirou com cinco.

O Dirceuzinho, já com umas na cabeça, tava meio chateado com a discussão e foi logo metendo o bedelho...

- Eu falei pra vocês... Ano passado, lá na rua do comércio, tinham umas mil pessoas caçando os velhinhos do INSS, pra emprestar dinheiro pra eles. Eram todos da turma do BMG. Nunca vi tanto assédio, parecia que o dinheiro nascia como mato.

- Ta certo, coitados desses aposentados. Agora tão devendo mais do que podiam.

- Claro, foram enganados pela maioria. Como sempre.

- Agora vocês viram de onde veio essa dinheirama toda? 390 milhões dos fundos de pensão da Petros, Funcef e outros, que apresentaram grandes perdas ano passado.

- Dinheiro do povo, que volta pro povo agora como dívida. Emendou um aposentado que tava quase morrendo sentadinho no banco da Rural.

- Burro! Exclamou um bêbado caindo perto da porta do banheiro.

- Ainda puseram a culpa naquele careca, que conseguiu emprestar 55 milhões do BMG com garantia do Genú, que assinou sem ler e, portanto não precisa responder.

Tinha um barbudo quebrado que perdeu tudo no ano passado, comentando:

- Eu falei lá no Banco que eu tinha assinado sem ler. Eles me executaram. Pra mim não colou.

- Burro! Gritou de novo o bêbado xarope.

- Ê Lula, onde ocê tava, vai demorar pra começar o serviço?

- To indo, calma, é que eu saí um pouco. Fui mandar um barro lá fora.

- Faz uma do U2 pra viagem. Pago caro, mas eu prefiro.

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