Por Carlos Giordano Jr.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Puxando à memória

Por Carlos Giordano Jr.

Assim que tive altura para alcançar a maçaneta da porta, minha mãe me deu uma cópia da chave da porta da nossa casa. Fiquei dono do pedaço. Vivia trancado dentro de casa. Tinham inventado a televisão, pelo menos pra mim. Não sei se já tinha o Roberto global, na tela branco e preto da nossa televisão, mas era legal. Ficava fora do ar por alguns instantes o dia todo.

Assistia Nacional Kid, aquele do japonês que tinha uma antena na cabeça, lutava contra os Incas Venusianos, e tinha duas pistolas de raio na cinta e uma capa rasgada ao meio amarrada no pescoço.

Os Três Patetas, de Moe, Larry e Joe. Comédia engraçadíssima de pastelão, na qual Moe era o mandão, ruim e malvado, Larry, o careca e Joe que fôra substituído várias vezes durante o seriado ao longo dos anos.

O Gordo e o Magro, de Stanley Laurel e Oliver Hard. Durante anos assisti este seriado ainda na versão, “cinema mudo”, mas com legenda. Era tão hilariante, que me fazia sentir um incontinente urinário.

Perdidos no Espaço, da família Robson, dentro do disco voador. Dr. Zachary Smith, meio afrescalhado, sacana, dono do robô, vivia de maracutaia, só se danava. Tinha o Will Robson, a Penny, e a Jud que namorava o co-piloto Don.

Super-Homem, Clark Kent disfarçado de repórter do Jornal Planeta Diário, matutino da cidade de Metrópolis, vindo do planeta Krypton, enviado por se pai Jor-el, arque-inimigo de Lex Luthor, que andava com Kryptonita, uma pedra verde que tirava os super-poderes de Clark. E ainda, que ele se trocava normalmente nas cabines telefônicas e saia voando para fugir de sua pretensa namorada Louis Lane, repórter do mesmo Jornal, que nunca desconfiou de nada.

Zorro, de Don Diego de La Vêga, do cavalo preto chamado Tornado que empinava no alto da colina, brigava de capa e espada, e vivia fugindo do Sargento Garcia, o gordo. Zorro tinha um belo bigodinho e um criado mudo (um serviçal que não falava) chamado Bernardo.

Rin-tin-tin, aquele parente do meu cachorro Aga, que vivia com um molequinho chato, o cabo Rusty, que era o herói do sertão americano. Depois apareceu Ultra-man, com o Aiala da caneta mágica que falava: - E, lembre-se Aiala, quando você estiver em perigo, ative a cápsula e você se transformará no UUUUltra Maaaaan!

O Túnel do Tempo e Terra de Gigantes eram seriados que nos faziam viajar para dentro da tela da TV, num sonho gostoso e inocente.

Viagem ao fundo do mar, do U.S.S. Sea-view, um tremendo submarino nuclear americano, que tinha o Sub-voador para auxiliá-lo nas missões em terra. Era chefiado pelo competente Richard Basehart como Almirante Nelson e David Hadson como Capitão Lee, assessorados pelos experientes marinheiros Tenente Chip, Chefe Charkey e o marujo Kowalsky.

Daniel Boone, desbravador norte-americano do selvagem Kentucky, casado com Rebecca Boone, cujo filho era um lindo menino chamado Israel. Seus parceiros nas aventuras eram: Jeremias e o índio Cherokee Mingo, dono de um enorme chicote. A dificuldade de Daniel sempre foi a de carregar sua espingarda pela boca na hora do ataque dos índios apaches.

James West, estrelado por David Conrad, parceiro de Artemus Gordon. Moravam num decorado vagão de trem, que viajava por todo Oeste americano. Eles eram agentes secretos do Governo dos Estados Unidos. James era perito em esconder armas nas suas roupas e Artemus era mestre nos disfarces e só chegava para ajudar o parceiro no fim do filme.

Batman, o milionário Bruce Wayne, destemido Homem-morcêgo, protetor dos fracos e oprimidos cidadãos de Gothan City, cujo chefe de polícia era o Comissário Gordon, auxiliado pelo Sargento O’hara. Seu parceiro o gay e valente Robin, das famosas frases:- Santa charada, Batman;- Santa cilada, Batman;- Santa besteira, Batman! - Vai te catar Robin, tira esse calçãozinho de bicha e vai trabalhar de estivador em Santos! (essa frase nunca foi ao ar). Batman era o legítimo proprietário do Bat-móvel, maior carrão que soltava fogo pelo rabo e servia para auxiliá-los no combate aos incansáveis Charada, Coringa, Pingüim e à linda Mulher-gato. Na Bat-caverna, seu esconderijo secreto situado debaixo de seu escritório, ele podia contar sempre com o apoio de seu mordomo Alfred.

Jornada nas Estrelas, U.S.S.Inter Price, nave inter-galáxica que riscava a Via Láctea na velocidade espacial de dobra 8, era pilotada pelo excepcional Almirante James T. Kirck, tendo como auxiliares Sr. Spock, o orelhudo Vulcano, Dr. Mac’Coy, Sr Scoth, tenente Ogura e o navegador da ponte de comando Sr. Sulo, o japonês.

A Feiticeira, Elisabeth Montgomery como Samantha dona do nariz mágico, mãe da Tábata, e depois do Adam, casada com o trapalhão James ou Jonathan Stevens que trabalhava com o Larry Tate, na agência de publicidades Mac’Mann & Tate. Sua mãe era terrível, chamava-se Endôra, e detestava o James por ele ser um pobre mortal. Sua irmã, a Serena, tinha verdadeira adoração pelo cunhado, sempre o transformava em sapo. Tinha ainda a Tia Clara, a babá que só se metia em encrencas. E, quando as bruxas ficavam doentes, se consultavam com o único e famoso Dr. Bambey, que sempre estava de férias em algum lugar paradisíaco do mundo. Tem mais, sua vizinha, a abelhuda e desconfiada Dona Gladys Clawets e seu descrente marido Abner.

Jeannie é um gênio, com Barbara Eden que morava dentro da garrafa mágica que fôra achada numa praia em Malibú pelo seu amo Major Antony Nelson, estrelado por Larry Hagmann, astronauta da NASA, tremendo trapalhão, que nunca sucumbiu aos assédios charmosíssimos de Jeannie, loira maravilhosa, estrelada por Barbara Eden. Era amigo inseparável do Major Hilley. Eram vigiados de perto pelo Dr. Bellows, casado com Amanda Bellows, que entregava tudo o que via para o General Petterson que nunca acreditou em nada.

Agente 86, de Maxwel Smart, namorado da agente 99, trabalhava para o Contrôle, grande agência de espionagem inimiga mortal da Kaos. Comédia muito boa, na qual Max fazia um papel de agente secreto, em cujo sapato se ocultava um telefone. E, quando se exigia sigilo absoluto, ele solicitava o uso do famoso Cone do Silêncio para falar com o Chefe. Seu parceiro era o agente 46 que sempre se escondia em gavetas de arquivos e caixas de correio.

Kung Fu, do americano disfarçado de chinês Quae Chang Kaine, lançado em Outubro de 1972, esta série fez muito sucesso em horário nobre da TV, interpretado por David Carradine, que tomou o lugar do imortal Bruce Lee, ator cuja história nas artes marciais, motivara a criação desta divertida série (depois, Bruce acabou morrendo de nostalgia por ter perdido o papel). Quae Chang era conhecido como gafanhoto, e seus ensinamentos marciais lhe foram dados por um monge Chaoling. Obrigado a vagar pelo Velho Oeste americano a procura de seu verdadeiro pai, sempre terminava usando suas lutas para se livrar das enrascadas em que se metia, dando sempre ao final do capítulo uma lição de moral.

Os Flintstones - desenho animado de Fred e Vilma Flintstones, amigos do casal Barney e Beth Ruble, pais de Pedrita que depois iria namorar o Bam-bam, filho de Barney. Ainda tinham o Dino, que adorava um delicioso osso de Brontossauro. Fred trabalhava numa pedreira na cidade de Bedrock, cujo dono era o Sr. Pedregulho.

Os Jetsons e Pernalonga, Patolino, Os Herculóides, Tom e Jerry, Papaléguas, Maguila, João Grandão, Ding Ding Coelho Ricochete, Pepe Legal, Johnny Quest, Corrida Maluca, Muthly e sua esquadrilha, Poppy pai e Poppy filho, Might Tor e Space Ghost eram desenhos animados super divertidos, puros e inocentes que só faziam alegrar a criançada.

A televisão era muito legal.

A Xuxa ainda não tinha nascido.

Senor Abravanel, o Silvio, não pensava em comprar um a rede de televisão para estragar Domingos. Vendia muamba na 25 de Março. Depois, mudou de nome, inventou o carnê da felicidade e se deu muito bem. Mas tudo era festa, tudo era alegria e tinha sabor de macarronada.

Eu tomava ovo quente toda manhã para ficar forte, ser inteligente e ter boa memória.

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