Por Carlos Giordano Jr.

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Na serra da canastra

Na Serra da Canastra, tudo é magia.

Saindo de Delfinópolis em Minas Gerais, encontramos caminhos verdadeiramente deliciosos rumo às diversas cachoeiras que ali estampam a paisagem e que na maior parte do ano têm suas águas a uma temperatura bem refrescante, convidando sempre a um mergulho.

Para quem gosta de aventura, um veículo com tração nas quatro rodas é a chave para um mundo inexplorado. Caminhos tortuosos, muito barro, rios e riachos para atravessar e caminhadas na mata são estímulos necessários para o encontro com a Natureza ainda intocada.

Dando a volta na Canastra pelo Chapadão da Babilônia, depois de muito tempo, chegamos à Casca D’Anta, quase em São José do Barreiro, com 86 metros de queda livre, a água chega a pulverizar-se com o vento oferecendo um maravilhoso visual.

Mais alguns quilômetros e já dentro do Parque Nacional, encontramos a nascente do Rio São Francisco, antigo Opará, na linguagem indígena que significa Rio-Mar.

O Velho Chico, que levará em suas entranhas, histórias e lendas dos povos ribeirinhos rumo ao mar já nas Alagoas. Rasga Minas em Três Marias, Pirapora e Januária, chegando a Bahia onde recebe as ofertas que lhe são lançadas em Bom Jesus da Lapa. Banha no seu vale em Petrolina e Juazeiro pomares carregados de uvas e mangas trazendo riquezas para a população e finalmente despeja nas águas salgadas do mar toda sua epopéia.

Pude estar por ali algumas vezes com a família e com grandes amigos. Acampamos e fizemos comida com fogo de chão. Curtimos tudo o que podíamos, até mesmo o desespero de perdermos os filhos emaranhados na mata por alguns minutos.

Mas o causo que quero contar é que numa manhã em companhia do Carlinhos e do André, partimos para mais uma cachoeira perto de Piunhí, depois de São Roque de Minas, do outro lado da Canastra. Depois do café reforçado na pousada, no meio da trilha, bateu aquela vontade louca de poluir o ambiente. E não fiquei só. Cada qual escolheu a sua moita e mandou ver no mato. Fazer o que?

Continuamos a caminhada, e fui surpreendido com uma insuportável coceira na cabeça de baixo, naquela que muito respeito e admiro. Mas coçava demais...

Parei para verificar o estrago e ali estava... Duas enormes picadas de muriçoca bem na ponta do poderoso.

Sou alérgico a muriçocas.

Chamei Carlinhos pra ver o estrago e ele caiu na gargalhada não se importando com a minha dor. Aquilo me incomodou o dia todo.

À noitinha, já na pousada liguei pra casa, com uma dificuldade de sinal no celular e contei pra minha esposa, que aguardava ansiosa pela nossa volta.

- Você não acredita o que me aconteceu....

- Ai meu Deus, o que foi agora?

- Estou com algo que não parece meu, queria te mostrar.

- Conte o que foi?

- Muriçoca, cê não vai acreditar.

- Onde?

- Na pistola.

- E agora?

- Tá linda.

- Como assim?

- Agora tá enorme, dura e preta, pena que é capaz de apodrecer e cair.

E caiu a ligação.

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