Por Carlos Giordano Jr.

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Quero meu céu de volta

Em 1966 Will Robinson estava perdido com sua família no espaço depois que Dr. Smith sabotando a configuração do Robô para que destruísse a missão, acabou ficando preso na espaçonave e pelo excesso de peso, a nave Jupiter II saiu da rota e foi direto contra uma núvem de meteoros. Isso aconteceria no ano de 1997, acredite. Era um grande clássico da ficção científica.

Assistí a “Perdidos no Espaço” durante toda minha infância na TV Record, Globo e depois na TV Tupi. Aquilo para mim, sim, era o espelho do futuro que encontraría quando fosse adulto.

A 20th Century Fox e a CBS contemplaram a Irwin Allen, seu produtor com poucos recursos, mesmo assim, a série que ficou no ar no Brasil até 1990, portanto mais de 24 anos adiante de seu próprio tempo.

Irwin tinha visões absurdas do futuro, como o forno de microondas, comida desidratada, carros elétricos, pistolas de raio laser, robôs inteligentes, espaçonaves movidas a energia radiotiva, cores e roupas metalicas com poder de refletirem as radiações solares, criogenia para congelar os viajantes permitindo-os viajarem no tempo e no espaço e muito, muito mais.

Numa viagem insólita mais próxima do Sol, a família Robinson se viu em apuros pela radiação solar que assolava o pequeno planeta fictício. Mas o prodígio Will, sacou do depósito de invenções espaciais uma capa metalizada anti radiação e cobrindo toda sua família que já desfalecia quase cozida no calor causticante, salvou-a da morte certa.

O seriado errou por 10 anos. Estamos em 2007 e preciso muito dessa capa para trabalhar. Estou morrendo de calor.

Percebo que estavam certos quanto às cores metalizadas, pois todos os carros são da cor prata, as fachadas dos edifícios são metálicos em aço escovado, reflexivos e agora reais, não fictícios.

Ah, cheguei no meu futuro. Pelo menos no meu, aquele que um dia sonhei.

Mas ele não é bem aquilo que acreditei. Algumas coisas sim, outras nem tanto.

O intercomunicador da nave estelar “USS Enterprise” do Capitão Kirk e Sr. Spock em Star Treck projetado entre 1966 e 1969 por exemplo, hoje virou griffe nos aparelhos celulares e funciona muito bem. Os computadores de bordo do Submarino Nuclear “USS Seaview” pilotado pelo Almirante Nelson e Capitão Lee Crane eram gigantes na ficção de 1961 dirigida pelo mesmo Irwin Allen e agora os tenho debaixo de minhas mãos, portáteis e com 5 cm de altura. O “Cone do Silêncio” projetado em 1965 pela agencia secreta de espionagem “C.O.N.T.R.O.L.E”, arqui-inimiga da “K.A.U.S”, o “Sapato-Fone” e o “Escudo da Invisibilidade” usados por Maxwell Smart, o Agente 86, ainda não foram comercializados.

Mas a verdade é que no meu passado, o futuro me incomodava.

Quando criança, gostava de ficar deitado na varanda de barriga para cima olhando o céu. O céu, naquela época era azul, super azul, tão azul que colocaram um nome na cor “azul celeste” ou “azul céu”. O contraste do azul do céu com o branco das núvens e o verde das árvores era repousante para meus olhos. Se alguém se lembra, o Sol que hoje é branco, era amarelo alaranjado e mesmo contrariando minha inteligência, fazendo uma luneta com minhas mãos, podia olhar para ele e simplesmente imaginá-lo como astro soberano.

Nossas cores eram verdadeiramente tropicais. Esse Sol, filtrado pela camada de ozônio e pela atmosféra, era refletido numa gama de cores alegres, boas para fotos ao cair da tarde e deliciosas ao alvorecer.

Há tempos não vejo o azul do céu. Isso me incomoda demais. Sinto falta, fico melancólico e nada posso fazer. Às vezes o encontrava a 33.000 pés de altura e agora nem voando muito alto o encontro. Me dá muito medo.

O aquecimento global derrete o gelo, provoca secas terríveis e tempestades violentas. A água doce fica escassa, fazendo secar até o rio Amazonas no Alto Solimões. Os peixes não conseguem comer depois da chuva ácida e morrem. Ví a rede com malha fina sair do rio sem nada para alimentar o ribeirinho. Ví as rãs que cacei quando criança serem extintas no meu futuro pela radiação solar. Ví o fim da Mata Atlântica estampada na cobiça e no desrespeito dos políticos. Ainda vejo o fogo consumir a maior floresta do mundo transformando-a em deserto. O Jalapão avança desertificando o Tocantins. E carros e caminhões continuam roubando meu ar, transformando-o em energia motora e mais poluição.

Essa poluição está fora de controle, não me deixa ver meu céu e curioso o Sol não pode “ver” a Terra, por isso o tal aquecimento global já está sendo “resfriado” em regiões onde a poluição atmosférica, fora de controle, escurece o meio inibindo a radiação solar. Conflito total. Descontrole.

Quero meu céu de volta.

Hoje vou andar de bicicleta.

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