Por Carlos Giordano Jr.

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domingo, 26 de setembro de 2010

Paralelos da História - Hitler, anjo ou demônio

Carlos Giordano Jr.

Numa esfera mesclada de medo e resistência pela aproximação do comunismo, nasceu o Nacional Socialismo. Pelos idos de 1920, Adolf Hitler, imbuído de obscuras intenções, liderou o partido que teria seu nome abreviado para Nazi (de Nationalsozialistishe). Suas idéias prenunciavam uma catástrofe, porém exaltando a raça superior alemã, negava também os princípios humanos da democracia e enaltecia o fortalecimento do governo ditatorial, que se opunha fortemente às propostas comunistas que se aproximavam da aceitação popular.

Com o apoio dos comandos financeiros, fortaleceu-se calcado em posições radicais onde o governo forte dominaria o povo fraco e despido de ideologia contestadora. E, nesse patamar estava o povo judeu, que indistintamente seria considerado inimigo da raça ariana e, portanto exterminado.

Curioso é o fato de que naquela época, Hitler dominava o assunto de propaganda política como ninguém e com isso investiu todas as suas habilidades em dominar a informação pública, levando ao povo de forma magistral a sua própria verdade. E o povo acreditou.

Usando de propaganda política, dominou todos os conceitos populares, levando o povo a acreditar na sua loucura.

Depois fartou-se em determinar o extermínio de todos aqueles que não cediam ao comando de sua voz. De forma vergonhosa e desonrada, fez com que o povo judeu se voltasse contra si mesmo, lutando por uma fração de alimento ou por um buraco escondido num sótão fétido de um gueto. Os que não morreram de fome ou de vergonha, morreram por acreditar terem sido escolhidos para trabalhar nos campos de lavoura. Famílias inteiras foram dizimadas já no trem rumo ao prometido trabalho. Seus bens foram saqueados a fim de pagarem pela despesa das munições usadas nas suas próprias mortes. Seus corpos abusados e mutilados. O banho no chuveiro a gás dizimava suas esperanças contidas até o fim. O caos se instituiu, e o povo se calou.

Hitler foi acuado em 1945, como único responsável pela segunda guerra mundial, no seu “bunker” na Berlim destruída sob o ataque impiedoso das tropas soviéticas. Após fingir um casamento com Eva Braun, sua amante e ler seu testamento para alguns que ainda o apoiavam, recolheu-se na sua covardia e vendo a morte da esposa pela ingestão de cianureto, acabou com sua vida com uma bala na cabeça. Consta que seus corpos foram incinerados. Talvez tenha fugido como um covarde e sobrevivido na sua solidão por mais alguns anos como Bin Laden, tramando se vingar ainda de seu próprio destino.

Isso não importa.
O que importa é saber se em paralelo com o espaço-tempo, isso não se repete por aí todos os dias.

Alguém dominando e subjugando outro alguém. Usando-se de retóricas para prometer dias melhores, exerce o peso de sua covardia sobre o seu irmão que morre de fome, sem emprego, sem esperança e sem força para lutar. Outrem, se utilizando da oratória no púlpito político, alcançado pelo domínio sobre seu eleitor inculto e pacato, fortalece-se cada vez mais em suas idéias de despotismo dissimulado, para nada fazer em prol da sociedade e do bem estar da população que o elegeu. Absolutamente nada, a não ser abraçar-se à Narciso, da mitologia Grega, no espelho da vergonha.

A diferença é que Hitler era um anjo, que enviado por Deus, e não pelo demônio, se responsabilizou sozinho, ao conseguir levar para junto do Pai, no paraíso celestial, milhões de almas sofredoras, que na pureza de suas vidas, alcançaram a piedade eterna, num suspiro de esperança, respirando o gás letal.

E aqui, ainda alguns teimam em fazer sofrer, mutilando as esperanças de milhões de brasileiros que acreditam também em melhores dias.

Fartam-se em banquetes de hipocrisia, comendo até as próprias migalhas que sobram de seu egoísmo, enviando para o trem da morte, almas inocentes que clamam por justiça, por apoio, por uma oportunidade, por cultura, educação e capacitação profissional ou por alguém que lhes possa indicar um caminho que as levem rumo à felicidade.

Hitler, culpado por seus atos e condenado pela história da humanidade, lutava por seus objetivos de fortalecer a raça ariana, abduzindo crianças polonesas apenas por sua aparência e olhos azuis, tirando-as de seus pais ainda bebês revertendo-as à propriedade do Estado Nazista. Ele era louco, mas tinha um padrão. Perto de nós, em nossa podre sociedade mesquinha, não temos sequer um padrão, seguimos destruindo valores, aniquilando conceitos morais, matando o amor, a família e o caráter, aniquilando até mesmo os sonhos, fechando os olhos para um futuro que começou ontem.

Façamos silêncio afim de que possamos ouvir os gritos das dores dos que as sofrem e exalemos para a vida apenas a essência da nossa própria dignidade.
Senão, amanhã iremos colocar a culpa em quem?
Boa semana,

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