Por Carlos Giordano Jr.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Esperança

Por Carlos Giordano Jr
Verão 2011 - Salvador - BA

Lá no sertão da minha gente, quando pó
De presente, castiga o mato e o homem
O bicho de pé deita de sede e a cangaia
Leva nada no dorso daquele que só tem
Rapadura, farinha e paixão, se não faltar

O homem magro grita ao gado igual a ele
Marrom de dar dó tange pra lá, do lado de lá,
Pr’onde chove a chuva verde da terra
Bem onde o pé cansado e doído alcança
Mais de perto, onde Deus se faz presente

No resto de cor, na palma ainda viva
Lhes há de sobrar o ferro, a fibra e a água
O sertanejo engana a fome, mata a sede
Desconta sua força e combate o Sol
Que tira o couro, enrugando a pele e mata

Morrer assim, pra que?
Na mata é melhor, lá tem verde que esconde
A dor de quem sente, com choro de gente
Aquilo que o coração não aceita, a tristeza
Daquele que não mais teve fé para esperar

Uma gota de esperança na neblina fria
Encanta o sorriso cálido da criança
Que brinca no terreiro sem medo de nada
De que de tão seco, nem a lágrima desce
Quando lhe grita de dor o bucho vazio

Galinhas e patos ciscam nada no chão
Carcarás bebem água, quando tem,
No regato seco que teima, teima e teima
Até que a quirera da sorte lhes é lançada
Pelas mãos seguras daquele que plantou

Plantou seu coração no solo duro e seco
Rezou e pedindo a proteção de Nosso Senhor
Deposita a cada tanto, na fé do Criador
As sementes amarelas de ouro da salvação
Esperando o milagre da chuva no sertão

No horizonte da vida, o céu ainda é azul
Com nuvens eternamente brancas, baixas
Pertinho da mão, como se eu pudesse...
As agarraria, espremendo a chuva
Lá na terra seca, do sertão da minha gente

Mas quando ela vem, vem cálida e fria
Amansando o medo e respirando a alma
Cai no solo, que sorve o sangue da fartura
Sorri e enverdece a caatinga, dando frutos
Na feira lá da Vila, da sentinela da vida

O choro então se esvai e o sorriso se escancara
No calor desse povo que rasga no peito
Daquele que sente a paixão dessa pobre e rica gente
Ensinando que no amanhecer da vida
Tudo se renova às vistas do querer do Amor Divino

Desde sempre, para sempre
A vida lhes sorri, quando o verde lhes veste
Com o manto de alegria e de esperança,
Onde o ontem já não conta mais a história que não quis
E o amanhã...ora o amanhã... sempre será

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