Por Carlos Giordano Jr.

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domingo, 23 de outubro de 2011

Valor ou Resultado

Por Carlos Giordano Júnior

Há algum tempo vimos experimentando uma verdadeira revolução na maneira de ensinar e porque não dizer, na maneira de aprender.

As corporações que participam de acirrada competição para sustentar suas operações, indo contrárias à própria natureza que é de um dia findarem suas atividades, buscam posicionar-se de maneira estratégica no sentido de sobreporem-se à própria visão declarada no seu planejamento.

Uma das quatro premissas estratégicas, a de Aprendizado e Crescimento, que se posicionava na base da pirâmide do Mapa Estratégico desenvolvido por Kaplan e Norton* (Balanced Scorecard é uma metodologia de medição e gestão de desempenho desenvolvida pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e David Norton, em 1992) agora, obrigatoriamente, passa a ser a sustentação de qualquer plano estratégico. Quero dizer que, a busca pelo resultado pretendido pelos acionistas, somente será satisfeita se a base for educada e motivada a fazê-lo.

O foco estratégico

Assim, assistimos a derrocada do foco em todos os níveis da gestão de nossos pretensos resultados. Notem que as escolas cujo foco passou a ser a conquista no vestibular, perderam seu valor, prostituiram-se nos seus objetivos primários: ensinar, ensinar a estudar e ensinar a aprender.

E os alunos desistiram de aprender, pois tendo como foco esse mesmo vestibular, perderam o desejo pelo conhecimento, pela cultura, que os levaria de forma mais simples a alcançarem todos os seus objetivos na vida.

Da mesma forma, a empresa, cujo foco é apenas o resultado, perde seu valor e com isso não pereniza suas atividades, não se sustenta, não prospera mais.

Sentimento de pertencimento

Quando nos sentimos pertencentes a uma equipe que busca realizar seus objetivos em conjunto, experimentamos o prazer da realização que nos é conferido por alcançarmos juntos, aquilo que desejamos juntos.

Portanto, as grandes empresas do futuro, somente coexistirão no mesmo tempo e espaço, desde que consigam aprender juntamente com seus colaboradores, que desta forma, se dedicarão a desenvolver-se em suas habilidades, modificar suas percepções da vida profissional, criar opiniões estruturadas antes de transmiti-las e solidificar suas convicções baseadas em fatos e não em livros.

Essas organizações já existem hoje e são compostas por líderes que exercitam o prazer de aprender em conjunto, somando forças e experiências vividas, exercitando seus próprios valores, que saem dos quadros pendurados na parede da sala de espera e se espalham pelo chão da fábrica, vencendo quaisquer obstáculos ou resistências.

Comprometimento

Ao mencionarmos que falta o comprometimento das pessoas, devemos então, verificar o nosso próprio foco antes de fazermos essa afirmação. Comprometer-se significa assumir para si o compromisso da ação, desde que conheçamos profundamente aquilo que devemos praticar, a forma com que praticaremos, o que conquistaremos com isso e principalmente, o que o grupo ganhará com esse nosso compromisso.

Mas ainda assim, de nada vale um compromisso assumido se a ação não é realizada.

Ah.... então falta realização? Depende.

Depende de qual era o plano inicial, qual era o objetivo e finalmente qual era mesmo o foco da equipe. Tendo isso muito claro, através de um bom plano de comunicação corporativo, que alcance a todos os envolvidos, as conquistas serão mais fáceis e as entregas e realizações garantidas. Portanto não devo aceitar minha missão. Simplesmente devo compartilhá-la.

Aprendizagem e a busca pelo valor

Esse processo de aprendizagem é dolorido, pois invade nossos modelos que primariamente acreditamos serem certos. Desta forma, amenizaremos essa dor, se também compartilharmos nossos anseios e dividirmos nossas experiências com o grupo, percebendo assim que nunca estivemos sozinhos nessa busca pelo saber e pelo ser. Essa é a razão.

Os modelos antigos de liderança não servem mais. As palavras antes usadas como "delegar", "mandar", "dar poder e responsabilidade" (empowerment) também não servem mais. Até o "Coaching" está sendo revisto. O momento é do CoachingOurSelves (treinando a nós mesmos), onde simplesmente nos reunimos para trocarmos nossas experiências e melhorarmos nossa capacidade profissional conjuntamente.

Nosso raciocínio tem a tendência de moldar-se aquilo que vemos ou já vimos. Esse é o grande descompasso com a necessidade do mundo moderno, onde quem consegue ver aquilo que ainda não existe, terá muito mais êxito na vida corporativa.

A mudança
Essa mudança na aprendizagem vai muito mais além do que conseguimos hoje perceber, pois no final, lá na frente, será traduzida em realizações de forma sistêmica e inteligente, melhorando em muito o resultado de nossos esforços.

Vamos então liberar nossas idéias, voar com nosso pensamento, tentando enxergar o que vem depois da esquina, no sentido de podermos, utilizando de nossa sabedoria, resolver problemas que ainda não apareceram na nossa frente e encontrar soluções para dificuldades que ainda nem existem.

E quando será essa partida?

Quando devemos começar essa mudança?

O momento é ontem. Devíamos já estar praticando esses conceitos desde sempre e assim, não estaríamos preocupados, pensando em mudanças, pois nosso comportamento já estaria se adaptando às novas posturas diariamente, conforme as trocas de cultura e de experiências estivessem sendo realizadas entre todos da equipe.

Assim teremos muito mais valor e a nossa empresa também.
Todos ganharemos juntos.
Pense nisso!

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