Por Carlos Giordano Jr.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De um rolo de arame a uma paixão

Avenida Paulista - 120 anos
Por Carlos Giordano Jr.

Um rolo de arame e um sonho
Num corredor de Magnólias e Plátanos
Definirá o contorno do desejo
Onde a paisagem é só o começo
E a Arquitetura de contrastes desbanca
O simples e aflora o superlativo

Bondes, carruagens, carroças e boiadas
Cavaleiros e cavalheiros, condes e magnatas
Passeiam em seus chapéus ou cartolas
Levando a mensagem de um futuro
De elegâncias e horizontes dourados
Matrizando a cultura de um povo de paz

Seu Joaquim Eugênio idealizou o espigão
Que elevava o horizonte até o Jaraguá
Deixando lá embaixo o rio Pinheiros
A desejar domingos de Sol e de festa
A uma burguesia endinheirada que
Pagar podia, a preço de ouro, um terreno vazio

A mata nativa abriu-se para o novo mundo
Em casarios e mansões eclodindo em cores
Estilos, tendências e fantasias díspares
Evocando olhares de cobiça e de desejos
De um cheiro de café à industrialização do ferro
Novos ricos, novo mundo, novos sonhos

Arquitetos do futuro em suaves desenhos
Clássicos ou bizarros, criadores deste mundo
Descobriram o poder de escreverem o futuro
Em Art-nouveau, neo-classico ou florentino
Em Trianon ou Belvedere, de vale a vale
Do Pinheiros ao Centro histórico indo até o Pacaembu

Dizer-se da Paulista em palavras ou poemas
Limita o ilimitável e irrompe o indizível
Em vitrais e colunas, madeiras e concretos
Torres, galerias, quintais, jardins e paixões
Nesse enigma da história paulistana
Que estampa o progresso desse povo

Desses tantos casarios a edifícios que arranham céus
O Masp de Lina Bo Bardi desafia o equilíbrio da sociedade
Numa época de valorização predial e de desrespeito à história
Sucumbiram mansões e patrimônios culturais na calada da noite,
Dando espaço ao mundo vertical de vidro e concreto
Num ciclo que alterna a beleza e os novos desejos

A Paulista é assim, foi assim e será assim
Destemida, ímpar e centro das atenções
Que irriga o sangue das paixões em vieses de progresso
Das retas paralelas e perpendicular atenção
Em suas ruas irrequietas neste frenesi de vais e vens
Refletindo de si só aquilo que se quer ver

Desta dimensão se faz notar em brilhos de vidros
Dos espelhos que se contemplam nas torres da vida
De onde se podem ver e olhar, em terra ou céu
Das nuvens eternas e garoas frias, a paisagem viva
Que não para nunca, onde o sempre nunca acaba
E a calma nunca existe nessa confusão de risos e choros

Nessa Paulista onde se nasce, cresce e vive
Se acaso sorrires, amará a diversão e também o trabalho
Dos engraxates executivos e suas babás com seus bebês
Em frases de mendigos ricos de história e nenhum futuro
Todos caminhando feito sangue nessa artéria principal
Que leva ao coração da nossa Grande São Paulo

O orgulho de ser Paulista

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