Por Carlos Giordano Jr.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

No silêncio

Por Carlos Giordano Jr.
Salvador – Primavera 2011


Sai nada do nada
Sem que se tenha algo
Senão sei lá o que
Porque o nada
Também é algo
A se escrever
Quando a inspiração
Deixa de ser
Qualquer que seja
O motivo

Escrevo simples
Como se escritor
Fosse a desejar
Vou descobrir que
O que penso que não
Pode ser sim, dentro
Daquilo que nem existe
Até o momento em que
Virou palavra e passou
A ser motivo

Na mente vazia
O buraco é espaço
O preto é branco
E o branco é azul
Tanto faz e tanto fez
Porque o sentimento
Que nasce no peito
Cresce no coração
Transcende o desejo
E escancara a alma

A insensatez
Quando nada se fez
De se dizer o que
Para quem não ouviu
Pode-se deixar escrito
Alguma passagem
Que freqüentará
A memória daquele
Coitado que mostrara
O que nunca viveu

Dizer o que
Se quase nada
Habita a fronte
Nem mentira
Será verdade
Se não houver boca
Para se usar essa palavra
Palavra dita e escrita
Que não se diz
Que não se escuta

Então grito alto
No vento da razão
Sem som nem cor
Pois ninguém mesmo
Por mais longe que eu veja
Esteja bem perto de mim
Me quererá ouvir
Quando nada tenho a dizer
Nada tenho a pensar
Sem sentido a sentir

Mas o silêncio é que me dirá
Que o amor tem palavras
Que não se ouvem
Porém profundas e infinitas
Lançadas na transparência
Dos olhares de quem ama
Amor de Pai e amor de Filho
Constante e providente
Sincero e presente
Para sempre e sempre

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