Por Carlos Giordano Jr.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Macedônia em Guaraparí - ES

Por Carlos Giordano Jr.

A caminho de Porto Seguro, resolvemos parar em Guarapari no Espírito Santo para pernoitar. À noitinha fomos ao restaurante do Vicente em Nova Guarapari. Um sujeito distinto nos recebeu na porta do bistrô. Local rusticamente decorado, com uma graça impar e estilo único, abrandava o cansaço da longa viagem de 1000 km que fizemos naquele dia.

Vicente era Macedônio, e sua cozinha podia ser vista do salão onde nos acomodamos tranquilamente, mas já com o desejo insano de satisfação gastronômica. Nos serviu com uma garrafa de Grappa Italiana de primeira, deixando-a sobre a mesa como num convite para a embriagues. Não existia cardápio, não existia comanda, não existiam garçons incomodando nosso prazer.

O chef nos perguntou sobre nossos gostos. E invariavelmente, à beira da praia, pedimos lagosta, pescado assado e camarão salteado com wisky. De anti-pasto, berinjelas quase negras tostadas na chapa com azeite de oliva extra virgem, exalando perfume de ervas finas, decoradas com uma fina fatia de anchova salmonada, um molho delicado de tomates italianos coberto por lascas de parmesão, decoravam o prato deliciosamente preparado com requinte e elegância. Cervejinhas geladas aproximavam nosso paladar do desejo da satisfação que aquele momento nos traria. Porções generosas de alho curtidos no azeite com orégano eram enfeites para as torradas de pão italiano, ciabattas aquecidas no forno à lenha, cobertas com pimentões vermelhos descascados, tostados no forno e temperados com azeite e orégano ao estilo mediterrâneo fechavam o pacote de emoções.

Estávamos, eu, meu irmão e Fernando Basso, aproveitando sobremaneira os deleites daquela ocasião, que infelizmente não se repetiria mais. Vicente, como fosse um anfitrião de longa data conhecido, pilotava no fogão as panelas que se enchiam de produtos naturais e extremamente frescos, que nos foram apresentados “in natura” à mesa, antes da escolha.
Ficamos ali por algumas horas, rindo da vida e comemorando nossa alegria de viver.

A garrafa de Grappa descendo seu nível, aumentou ainda mais nosso prazer e contentamento. E lá veio Vicente com o melhor de si, nos servindo as caudas de Lagosta, gratinadas na manteiga com ervas, depois o lombo de badejo assado com molho de alcaparras e os generosos camarões salteados no wisky foram servidos com uma porção de arroz decorados com frutos do mar.

Na hora da conta, Vicente estimou um valor pela noite de prazeres macedônicos e disse que se não estivéssemos contentes poderíamos ir sem lhe pagar nada. Ele sabia servir com humildade e cativar seu cliente pelo estômago.

Não tenho mais nada que contar.

Procure Vicente..

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