Por Carlos Giordano Jr.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Zito flambado no Perequê

Por Carlos Giordano Jr.

Foi no verão de 1984, quando pegamos nosso Fusca zero bala da falecida Cia. Atlantic de Petróleo, e nos metemos na estrada rumo ao litoral. Sem grana como sempre.

Zito, Cristina, eu e minha adorável Lúcia enchemos o Fuscão de muita alegria, adrenalina e sonhos de liberdade.

Zito gostava de tudo certinho, tinha acabado de conseguir emprego de engenheiro numa empresa de concreto, não tomava Sol nem morto, debaixo da desaprovação da sua Cristina, que reclamava incansavelmente da brancura “Rinso” (essa eu tirei da baú da minha avó) de Zito. Era meu amigo já da infância feliz que tivemos em Piracicaba.

Cristina também, amiga da Lúcia, morava lá na XV de Novembro, perto da casa alegre da Tia Leni, era exigente como só e morria de rir com as palhaçadas que fazíamos quando estávamos juntos. Nossa vida era uma grande piada. Que delícia. Éramos pobrinhos, mas limpinhos.

Voltando ao tema viagem, em poucas horas chegamos ao Guarujá. Naquela época era muito legal estar ali com os amigos. A água do mar ainda não cheirava a cocô e a paisagem era muito tranqüila.

Acabamos por optar fazermos uma parada para o almoço na praia do Perequê, onde existiam alguns restaurantes de pobre, mas também limpinhos. O dinheiro era tão curto que se esticasse muito, enrolava de volta pro bolso, principalmente o de Zito. (Confesso que ele vai ficar muito puto com isso, mas depois vai rir também da nossa pobreza).
Depois de muito custo, escolhemos o restaurante de melhor custo-benefício que se destacava dos demais pela sua varanda de frente para o mar calmo do Perequê.

Cervejinhas comedidas, pão com azeite Maria, tudo para encher a pança dos famintos antes da chegada do prato pedido - um filé à parmegiana que não tinha nada a ver com o estilo do local, mas tudo a ver com nossa condição financeira.

Que dureza desgraçada. Pobre só se lasca. O prato demorou mais ou menos uma hora para ser feito, e quando chegou, a fome era tanta que não esperamos Zito voltar do deságüe no banheiro lá do fundo do restaurante. Metemos o garfo na assadeira e destruímos aquele tímido filé, feito com muita falta de criatividade e de competência. E, pasmem, de repente, vem de lá do fundo um estouro absurdo, um barulho que nos assustou muito e a todos os que estavam ali presentes e em seguida, a voz de Zito, correndo e gritando:

- Fogo, fogo, corre negada….tá pegando fogo no restaurante!!!

Zito saiu do banheiro e encontrou-se com as chamas de um botijão de gás que havia explodido na cozinha, lançando o pânico em todos os funcionários que saíram correndo atrás dele. No que Zito passou por nós na mesa, largamos até as havaianas debaixo das cadeiras e nos picamos dali.

O saldo: Não pagamos a conta, lógico. Economizamos a grana que não tínhamos e acumulamos riso para toda uma vida pela aventura de “Zitão flambado no Perequê”.

Abraço especial pra ele..

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