Por Carlos Giordano Jr.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Parque Infantil de Piracicaba

Por Carlos Giordano Jr.

No “Parque Infantil de Piracicaba”, lá pelos idos de 1967, tudo era maravilhoso.

Situado lá na Rua Tiradentes perto da velha obra inacabada do antigo Hotel Beira Rio, era frequentado por crianças de todos os tipos que além de aprenderem bons costumes, aguardavam a volta de seus pais do trabalho. Alí havia muito respeito para com as professoras. Aprendíamos brincando.

Comíamos Jataí com gosto e cheiro de chulé às sombras das centenárias Jatobás e Jequitibás. Corríamos do Seu Vicente, o jardineiro, e esperávamos ansiosos Dona Amélia nos trazer ovinhos de lagartixa para comer (na verdade eram amendoim japonês).

Havia muito espaço.

Um corredor de hibiscos nos permitia brincarmos de narizinho com o miolo de sua graciosa flor. Caçávamos aranhas com linha e chicletes. Promovíamos brigas de saúvas, jogávamos fubeca, e a regra não permitia dar “ganso” para alcançar o “bile”.

A hora do lanche era esperada com certa ansiedade, pois serviam-nos pão com manteiga e leite em pó com chocolate da Merenda Escolar. Que delícia, ficávamos horas no banheiro, com diarréia. Não tinha privada para tanto. Era muito legal.

Dona Adele era a diretora, Dona Antonieta, Dona Tutu, Dona Edenice, entre outras com muita maestria nos ensaiavam para a grande quadrilha na Festa de São João. Como era gostosa a expectativa para a escolha do par. Impressionante como todas me queiram. Não sei se me confundiam com Robert Redford ou Nhô Quin.

Eu tinha uma botinha, que vinha com um escrito no cano: “Xerife”, ela me acompanhou muitos anos nessas festas. Meu pé nunca cresceu, ela quase o atrofiou.

Com o tempo virei “lobinho” no Grupo de Escoteiros Tamandaré, fiz juramento, aprendi muitas coisas que me serviriam mais tarde, como fazer fogo com dois pauzinhos , tapar goteira na barraca com chicletes, ficar sem dormir de medo de aranha e até cozinhar arroz com massa de tomate. Foi bom, quase virei escoteiro. Só não topei porque o lema era ficar “sempre alerta”, mas ninguém sabia porque. Se alguém ia chegar sem avisar para almoçar, ou se ia embora sem pagar.

Enfim, tudo passa deixando na pele o cheiro forte do suor que emana da vida, do movimento de ter vivido, de ter passado por ali, naquele momento, e sentido o prazer de poder senti-lo.

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