Por Carlos Giordano Jr.

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domingo, 1 de abril de 2012

As Sendas das Realizações

Por Carlos Giordano Junior

Dizer-se sobre seu próprio caminho não é tão fácil quanto se imagina.

Ao tentarmos contemporizar experiências já vividas com desejos futuros de sucesso e felicidade, esbarramos na necessidade condicional da obtenção da consciência sobre o caminho a ser seguido.

No ambiente religioso, esse caminho perseguido aspira à iluminação, à união com o divino ou pelo menos o seu prenúncio. Em paralelo, na vida ou na empresa, buscamos um caminho que nos leve de forma mais fácil ao encontro de um futuro feliz.

Assim, historicamente, encontramos passagens em que o percurso de um caminho ou o ato de peregrinar já era simplesmente aquilo que se almejava, remetendo-se assim a purificação ou a busca pela consciência espiritual.

Analogamente, Cristo na “Via Crucis” e seu caminho de sofrimento, morte e ressurreição; o Clausulo das Carmelitas como forma de penitência e busca pelo autoconhecimento; o Caminho da Perfeição perseguido por Santa Teresa de Ávila na Espanha; as peregrinações no Caminho de Santiago de Compostela onde se buscam através do sofrimento, o encontro com a consciência; a missão, o sofrimento, a escapada da morte iminente e a conquista dos objetivos estampados pelo simbolismo da mitologia grega com os 12 trabalhos dados a Hercules, o herói Grego; a penitência orientada pela Igreja Católica no período da Quaresma, com o desejo de purificação dos pecados, os flagelos de purificação nas tribos africanas e tantas outras passagens em que a Senda ou o Caminho são usados simbolicamente para o alcance da felicidade, conquistado através da abnegação ou do abandono dos interesses mundanos e do sofrimento em busca de um nível superior de consciência.

Na empresa e na vida ou na vida da empresa

Considerando vários temas exaustivamente discutidos sobre qual seria o melhor caminho para a felicidade, encontramos conceitos interessantes que poderíamos facilmente usar como alavanca na nossa empresa ou na nossa vida.

No hinduísmo essa Senda rumo à união com o divino ou encontro da felicidade é chamado assim:
Caminho da Ação, voltada para o trabalho altruísta.
Caminho do Conhecimento, buscando primariamente a sabedoria.
Caminho da Devoção, centralizada no amor.

Essas Sendas distinguem de forma ímpar a maneira de desenvolver-se em equilíbrio, tentando transformar-se em uma pessoa completa que trabalha, conhece e ama de forma perfeita.

Então se estabelecêssemos uma meta para nossa vida ou para nosso mundo empresarial, poderíamos considerar um caminho de peregrinação rumo ao sucesso, considerando o exercício desses valores através da frase:

“Conhecendo o que temos que fazer, devotamos a fazer com amor.”

Ainda na sequência da compreensão do melhor caminho, os budistas através dos ensinamentos oferecidos por Sidarta Gautama, o Buda, atribuem à compreensão das Quatro Nobres Verdades como ferramenta de eliminarmos o sofrimento e suas causas em busca da iluminação.
A Natureza do Sofrimento
Origem do Sofrimento
Cessação do Sofrimento
Caminho para a Cessação do Sofrimento.

Traduzindo isso para o mundo corporativo, teríamos a seguinte analogia

Natureza: A natureza do objetivo é encontrada naquilo que queremos. Transformando nossas dificuldades em ferramenta de crescimento, o objetivo seria o sucesso ou a felicidade na ação proposta.

Origem: O desejo é a origem de tudo o que buscamos, é a proposta principal, o desejo de existir, de renovar, de conduzir à perenidade da nossa atividade e que nos faz sofrer por sentirmos na pele todas essas dificuldades ou impossibilidades.

Cessação: Ao fazermos um plano estratégico, renunciaríamos a todas as dificuldades impostas pelo mercado, endereçando nossos passos a um horizonte novo, limpo, sem vestígios dessas dificuldades, momento em que a mente clara e o pensamento positivo seriam ferramentas a serem usadas nessa jornada.

Caminho: Ao termos então, o entendimento correto desse plano, um pensamento construtivo, com o uso de ferramentas corretas, ações corretas, um modo de vida correto, atenção e concentração, estaríamos assim no caminho correto para eliminarmos todas as dificuldades ao encontro da realização daquilo que propomos.

Buda assim definiu como alcançar a luz através das 8 trilhas:

Visão ou Entendimento correto.
Intenção ou Pensamento correto.
Palavra ou Linguagem correta.
Atividade ou Ação correta.
Modo de vida correto.
Esforço correto.
Atenção correta.
Concentração correta.

Para concluir, a visão Teosófica do Caminho discorre sobre várias atitudes impostas para que se desenvolvam aptidões indispensáveis para conseguirmos progresso e sucesso:

O discernimento entre o real e o irreal

Indiferença ou desapego de todas as coisas exteriores, passageiras e ilusórias;

E os seis atributos mentais necessários para trilhar a Senda ou Caminho, que são: Domínio do pensamento; domínio da palavra e da ação; tolerância, paciência, fé e equilíbrio.

O que queremos oferecer com esta análise é a possibilidade de tornarmos a empresa mais eficiente, desde que tenhamos pleno conhecimento de seus propósitos e objetivos, conhecendo o mercado e suas peculiaridades e principalmente colocando foco em nossas ações propostas através das estratégias oferecidas pela diretoria no rumo de um futuro recheado de sucesso.

Sabedores de que o sucesso é somente alcançado através de uma jornada por um caminho vivido e experimentado por todos, e que a consciência sobre nossas dificuldades e erros nos fazem sofrer, mas com isso nos tornam mais fortes para enfrentarmos todos os dias mais dificuldades. A comunhão de uma leitura daquilo que é certo, com o estudo e o conhecimento específico, mais o foco da equipe e a devoção aliada ao comprometimento, a fidelidade e o respeito para com nossos propósitos, vivendo uma vida correta com comportamento correto, nos lançará juntos a realizarmos ações corretas que nos levarão a um Caminho de Acertos em que todos poderão colher juntos daquilo que plantamos juntos.

Então cuidado, pois muitas vezes já estamos no meio de um caminho e os problemas são maiores do que a visão da solução, nos desviando do foco, nos forçando a realizarmos reestruturações de pensamentos e processos, revisões de metodologias, redução de custos e de recursos que na maioria das vezes, são imprescindíveis para realizarmos o nosso próprio trabalho, impossibilitando assim a eficiência desejada. Desta forma, essa prática destrutiva poderá nos deixar em grandes encruzilhadas onde a melhor escolha ou o melhor caminho a seguirmos, não estarão à nossa disposição no momento da decisão.

A perseguição obsessiva dessa prática imediatista desviará toda a equipe do Caminho de Acertos, dessa Senda das Realizações, provocando uma reavaliação sobre a verdadeira Missão da empresa e isso não é nada bom. Desta feita, acabamos por nos dedicarmos incansavelmente a resolvermos os problemas de curtíssimo prazo, deixando de lado o verdadeiro foco, o objetivo, o motivo que nos motiva a continuarmos e, sem esse motivo aparentemente justo, a nossa motivação (que nos motiva à ação) acaba se esmorecendo, as nossas forças se esvaecem e tudo parece ficar inatingível.

Afinal, se não soubermos qual a nossa Senda, melhor não darmos nenhum passo até que consigamos ter consciência sobre o nosso próprio propósito.

Pense nisso!

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