Por Carlos Giordano Jr.

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sábado, 25 de agosto de 2012

Mudança de cenário - Distribuição de combustíveis

Por Carlos Giordano Jr

Com o fim da CARTA FRETE, o mercado adotou, conforme exige Resolução 3658/11 da ANTT, o meio de pagamento com cartão eletrônico.

Assim, quero esclarecer o que segue, considerando:
O caminhoneiro autônomo era vinculado à Transportadora que o contratava por esse meio de pagamento.

A transportadora negociava o pagamento das CFs com os Postos de Combustíveis com prazos diversos que iam de 3 a 15 dias, fidelizando de certa forma essa relação comercial. Agora o caminhoneiro terá possibilidade de escolher seu posto regateando o preço à vista. Não terá vínculo ou fidelidade à ninguém obrigatoriamente.

Desta forma:

As transportadoras perderam o crédito que tinham e dispunham com os Postos, utilizando-se desse recurso como Capital de Giro.

Todas, sem exceção, tiveram que antecipar recursos financeiros para alteração dessa rotina para pagamento à vista ao caminhoneiro autônomo.

As notas fiscais de venda de combustíveis serão emitidas ao caminhoneiro e não à transportadora.

Portanto,

Quero considerar a análise de que a grande maioria das transportadoras que se utilizavam dessa prática queiram alavancar recursos de outra forma junto aos Postos de Combustíveis. E a forma será na dilatação do prazo de pagamento ou no consequente atraso no pagamento dos fiados/faturas do abastecimento da sua frota própria.

Na prática, inúmeros telefonemas ou contatos diretos com clientes solicitando dilatação no prazo de pagamentos estão acontecendo todos os dias.

Essa prática exigirá mais uma vez o aporte de mais capital de giro nos Postos, o que me preocupa, pois o custo financeiro hoje é muito superior à receita líquida operacional da atividade.

Haverá uma modificação em toda cadeia do negócio de combustíveis, por conta de:

A margem de lucro deverá cair sensivelmente pela composição de preço médio utilizado hoje no segmento, que protege a margem de lucro e compensa os descontos concedidos na venda à vista.
Em função do poder de compra à vista do caminhoneiro, por sua nova condição, exigirá muito mais por muito menos.
Não haverá mais possibilidade de fidelização das transportadoras nessa operação com terceiros.
Os Postos Revendedores que não tenham capital de giro suficiente para dilatação de seus prazos de pagamentos, deverão entrar em espiral de queda em suas margens em função de mais uma acirrada guerra de preços por esse novo cliente à vista.
As distribuidoras de petróleo por sua vez, demorarão em rever as suas estruturas e políticas de preços, adequando-se e realinhando-se dentro dessa nova realidade de mercado.
Essa demora na tomada de decisão ocasionará grandes perdas para o setor que, incauto, nada fará para proteger-se.

O governo ganha com isso.
O caminhoneiro ganha com isso.
O Transportador ganha com isso.
A distribuidora ganha com isso e o Posto quebra.

Nesse instante, gostaria de chamar-lhes a atenção para que:

Façam uma criteriosa análise de crédito e de riscos em suas unidades de Revenda de Derivados de Petróleo, no sentido de protegerem o capital de giro envolvido na operação.
Bloqueiem imediatamente clientes que atrasem pagamentos, obedecendo critérios de análises de risco ao crédito consequentes e bem intencionadas.
Diminuam, na contramão, o prazo concedido aos clientes, salvaguardando o capital de giro.
Optem por negociações que estejam vinculados aos cartões de crédito e débito e principalmente CTF.
Não aceitem em hipótese alguma cheques pré-datados.
Não aceitem cheques com troco para caminhoneiros terceiros não cadastrados. Todos eles terão o cartão de débito nas mãos.
Não aceitem cheques troco de Postos de Gasolina que não sejam cadastrados no sistema operacional da sua rede.

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