Por Carlos Giordano Jr.

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Lei do descanso e suas influências no mercado de combustíveis

Por Carlos Giordano Jr.

“Entram em vigor hoje (11) as resoluções 405 e 406 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que regulamentam a jornada de trabalho do motorista profissional que faz transporte escolar e de passageiros em veículos com mais de dez lugares, bem como no transporte de carga com peso bruto superior a 4.536 quilos.
A regulamentação da Lei n° 12.619, também conhecida como Lei do Descanso, publicada no Diário Oficial da União de 14 de junho, estabelece que os motoristas têm que descansar 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas, além do direito a intervalo mínimo de 11 horas ininterruptas por dia. Quem descumprir essas exigências poderá ser multado em R$ 127,69 mais a perda de cinco pontos na carteira de habilitação.
O controle do tempo de direção e descanso será aferido por tacógrafo, registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo do veículo. O equipamento, obrigatório para veículos de transporte escolar, de passageiro e de carga, deve ser certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
A fiscalização pode ser feita também em registro manual da jornada, por meio de diário de bordo ou ficha de trabalho, e o descumprimento da norma será considerado infração grave, sujeita a multa e retenção do veículo. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a regulamentação é um avanço para a categoria e vai diminuir o número de acidentes provocados por cansaço dos motoristas com sobrecarga de trabalho.
A partir de agora, o tempo máximo de direção diária será de dez horas, e a legislação obriga a empresa contratante a remunerar o motorista acompanhante, mesmo que não esteja dirigindo, além de custear o tempo parado em fiscalizações e terminais de carga e descarga. Cálculos preliminares dos sindicato de transportadores apontam para aumento médio de 30% nos preços dos fretes, pois além do aumento de custos, alegam que um caminhão hoje roda em média 10 mil quilômetros (km) por mês, e essa média deve cair para algo em torno de 7 mil km. “

Fonte: Notícias Agência Brasil - ABr

Assim, haverão novas movimentações na já complicada dinâmica do transporte rodoviário no Brasil, fazendo com que pelo menos, os Postos de combustíveis cujas áreas de estacionamento sejam receptivas em qualidade, espaço e principalmente segurança, mereçam destaque no momento da decisão de onde descansar. Além disso, os motoristas estarão obrigados a permanecer nesses ambientes por força de lei e não por opção. Desta feita, deveremos empreender esforços para proporcionarmos um ambiente acolhedor e significativamente focado nas possibilidades comerciais que irão advir desse movimento.

Estudos apontam para um novo desafio, em que a exploração desse novo mercado se obrigue a ser eficiente e sustentável.

Padarias, supermercados, lanchonetes, restaurantes com fast-food, churrascarias, conveniências, lojas de roupas, lojas de equipamentos eletrônicos, lojas de brinquedos, cinemas, salas de relaxamento e massagem, salões de cabelo, manicure e pedicure, farmácias, oficinas de estofamentos e tapeçaria, consertos de PX, oficinas de ar condicionado e refrigeração frigorífica, oficinas mecânicas com auto peças e elétrica, serviços de guinchos e socorro 24 h, escritórios de vendas de seguros e cartões de fidelidade, escritórios de agenciamento de cargas e transportadoras e até boates com salão de danças para entretenimento dos motoristas são exemplos do que já é realidade nas estradas brasileiras, impulsionando a comercialização do diesel como apenas mais um produto desse complexo comercial.

Nessa análise, é previsível a percepção de que as margens para comercialização de derivados ainda têm vieses de baixa, em função de que o diesel poderá ser um “loss leader” ou produto em que a margem de lucro é próxima a zero, trazendo assim movimento comercial para o empreendimento. Perigoso mas possível.

Não há dúvidas quando à viabilidade disso acontecer, em que pese o histórico do marketing promocional nas rodovias com exemplos confiáveis de práticas de liberações de dinheiro no caixa de vendas dos postos como bônus para o motorista abastecer o veículo da transportadora, mascarando preços e margens, derrocando as práticas de comércio éticas e sustentáveis. Lavagens e lubrificações em cortesia, brindes vinculados à percentuais de volumes vendidos, refeições gratuitas, refeições subsidiadas e tantas outras práticas que deturpam os cálculos de mark-up de qualquer empresário inteligente.

A tal guerra de preços, na disputa desse mercado não tem fim, empurrando a todos para o esgoto ao praticarem margens brutas ridículas da ordem de 5% sobre o preço de vendas.

E quem impulsiona com vigor essas práticas são as distribuidoras que verticalizaram suas margens, fazendo com que o preço de custo dos combustíveis subam conforme o revendedor tente corrigir seus preços de venda, acertando assim o seu caixa.
Sem reserva de mercado o CTF, modalidade confiável de recebimento, perdeu força e valor endereçando o incauto revendedor a abrir prazos dilatados para seus clientes, com elevação do preço de vendas, na intenção de aumentar sua margem de contribuição, expondo ainda mais capital de risco no negócio a custos altíssimos no mercado financeiro.

Na terra do Tio Sam o futuro já chegou. Com pelo menos quatro vezes mais postos que o Brasil, não existem mais frentistas, chefes de pista, gerentes de postos, atendentes ou coisa parecida. Que pena!

A comercialização é feita 100% com cartões de crédito, onde ressalto que o crédito a prazo para o cliente cai no mesmo dia para o lojista, facilitando o caixa do empreendimento. Os estoques dos postos são monitorados via internet e a reposição é automática.

E olha lá, que 58% dos proprietários têm apenas um Posto, mas 14% deles está nas mãos de grandes redes que detêm mas de 500 postos cada uma e mais, 50% são bandeira branca, ou seja, não exibem marcas associadas à distribuidora. Isso não é bom e não é mal, é apenas o cenário atual. No entanto cerca de 5.000 postos estão integrados às Redes de Supermercados representando 12 % das vendas nos Estados Unidos, deixando evidências de que ao agregarem combustíveis aos seus negócios, permeiam melhores condições de valorização do ambiente comercial do varejo.
Portanto, resta ao segmento de Postos de Revenda fazerem o mesmo, trazendo agora os Supermercados para dentro dos Postos, apropriando-se dos mesmos conceitos defendidos outrora como guerrilha, garantindo agora um futuro de bons resultados.

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