Por Carlos Giordano Jr.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Você viu Deus?

Por Carlos Giordano Jr.

Antes de aprender a andar, já freqüentava as missas na Igreja do Bom Jesus do Monte, em cuja paróquia fui batizado, fiz minha primeira comunhão, e fui crismado. Minha família sempre foi muito religiosa, especialmente minha mãe que muita força fez para que não desgarrássemos do caminho da salvação.

Íamos à missa todos os Domingos às 19h, nos encontrarmos com Ele. Motivo de festa, a missa era celebrada com a Igreja sempre lotada, denunciando a forte espiritualidade e o amor ao Cristo que caracterizava a sociedade da época. Cantávamos, orávamos, pedíamos, implorávamos, agradecíamos, reclamávamos, tudo com a Graça do Senhor, e para o Senhor.

Minha vó Nena, invariavelmente sentada na terceira fila de bancos, do lado esquerdo do altar, dava-me a impressão de ter canal direto de comunicação com Deus. Com lenço envolvendo os cabelos brancos, arcada com o peso da idade, pronunciava palavras de louvor ao amor de Cristo, nos dando muita segurança em relação à Sua existência.

Fiz o catecismo na Capela do Dom Bosco, onde havia o oratório São Mário, regido severamente pelo famigerado padre Bordignon e sua sineta insuportável. Lá aprendi a rezar, cantar e obedecer. Nessa época a missa para os jovens passou a ser às 10h da matina de Domingo, onde o divertimento da celebração estava em cantarmos os hinos do oratório com muita e muita força, fazendo ecoar por todo o bairro a nossa música repleta de alegria.

De gravata borboleta, camisa branca, calça comprida preta, e sapatos lustrados com zelo e presteza, cheguei à minha primeira eucaristia, carregando o desejo de comungar com Deus, seguindo o que nos foi pregado por Seu Filho. Meu coração aumentou naquele dia, quase não cabendo no peito, bateu sem parar irrigando amor por todo meu corpo. Senti Deus em mim!

Na crisma, anos mais tarde, estaria confirmando meu batismo, optando consciente pela amizade com Jesus por toda vida, tendo como padrinho, o hoje falecido, Sr. Elias Fuzaro, nosso estimado vizinho. O padrinho de Ci, meu irmão, fôra meu pai, que também foi visitar Deus junto com o vizinho. Ambos devem estar lá em cima, bem tranqüilos, olhando por nós.

Em toda vida nunca suspeitei da existência de Deus. Eu sim, algumas vezes, estive mais distante Dele, mas felizmente, todas as vezes que isso aconteceu, tive a bondade de receber Sua Graça, me encontrando novamente a Seu lado.

Muitas pessoas têm dificuldade em se fortalecer na fé. Fé é crer, acreditar naquilo que não se vê, portanto quem precisa ver para crer...não tem fé. Sem fé não se vive, não se alcança aquilo que se deseja, não se encontra, não se admite, não se permite. Mas, o amor que vem de Deus permite. Deus simplesmente permite. Talvez seja essa a resposta que se procura para aquilo que nos cerca, e que quando não é aceito, duvida-se da Sua Existência.

Quem poderia ver Deus?

Acho que todos teriam capacidade, e lhes seria permitido...

Tomemos como exercício de possibilidade, tudo o que nos cerca. E, bem devagarinho, bem de mansinho, vamos nos permitir visualizarmos somente o que há de bom nas pessoas, suas mais remotas possibilidades de cultivarem o amor, a bondade, a fraternidade; os objetos sendo descartados do plano visual e emocional, guardados numa esfera puramente física e material, totalmente insignificantes, básicos; àquilo que se vive, credite-se amor, respeito, carinho; às plantas, aos animais, dêem oportunidades, permitam; aos impuros, aos desesperançados, aos desgraçados, aos aleijados, aos assassinos, rumem olhares de afeto e percebam a vida em seus interiores, porque talvez o meio é que os tenha tornado o que são e nós, certamente, somos parte desse meio; aos atos, acrescente-se compaixão, amor e sinceridade; olhe a vida, olhe a pureza da água, o calor do Sol, a certeza da Terra, o azul lá no Céu. Olhe... E, aí, nesse instante veja em você a permissão de estar vivo, o ato de bondade infinita que o permitiu e ... terá visto Deus.

Viu Deus?

O que é Deus? Deus é amor.

Acreditando no amor, acreditará em Deus.

Para ficarmos felizes, Deus em sua infinita bondade e misericórdia, concedeu-nos um plano de vida. O Plano de Deus.

Nesse Plano, Deus indicou-nos a possibilidade de alcançarmos o estado de felicidade. Permitiu-nos sermos felizes.

Mas, tudo parece tão simples, tão puro, tão fácil...

Acontece, que o Homem, egoísta que é, imagina-se capaz de construir um plano melhor, mais cômodo, no qual o amor não é a linha mestre, criando inevitavelmente caminhos tendenciosos, levando à cobiça, à inveja, e à ganância. Esse desvio de comportamento não é considerado pecado às vistas do Homem, portanto destrói toda e qualquer tentativa de realização plena de felicidade, pois o individualismo gerado aí, é um passo para transformar a fome e sede de justiça de muitos em guerra, e esta finalmente, à destruição desse plano. Por isso, o Homem se mata na carne. Seu espírito não habitará seu corpo. Não haverá risos. Só dor.

E, porque não conseguimos a felicidade ?

Quando não somos felizes, é porque fugimos desse Plano Divino, nos desviando do caminho do bem. Ficamos de mal com Cristo, Seu Filho. E, quando ficamos de mal com Ele, sentimo-nos mal, tristes e desesperados, e na maioria das vezes nem sabemos o por quê. Talvez porque tenhamos pecado contra esse Plano de bondade, nos desviando de seu curso. Por isso também, Ele nos permitiu recebermos a visita de Seu Filho, Jesus Cristo, que nos aproximando novamente de Seu Pai, através de Sua morte e ressurreição, mostrando-nos detalhes desse maravilhoso Plano, livrou-nos de todos nossos pecados, permitindo-nos estarmos sempre nesse caminho através da Sua Graça. E, Graça é um presente que recebemos, um sinal, que nos aproxima novamente de Sua amizade. Graças a Deus, significa com a permissão de Deus.

Vivendo em Graça, seremos amigos de Cristo. Estaremos em alegria constante, teremos vida em abundância. Seremos sempre felizes.