Por Carlos Giordano Jr.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rua do Porto de Piracicaba – mudança de rota

Por Carlos Giordano Jr.

A “nossa” Rua do Porto está abandonada, infelizmente.
Como podemos ter um bonito jardim sem um bom jardineiro?
O projeto de paisagismo é lindo e a execução também, mas e a nossa parte, como fica?

Pois bem, a falta de capacitação profissional dos comerciantes locais, aliado à cultura imposta pela Lei de Gerson é que prejudicam o resultado pretendido pelo lindo projeto de transformação proposto para o parque.

Detalhes fazem muita diferença. Enquanto construímos uma nova ponte com arquitetura ousada somente para pedestres, deixamos as marquises e passarelas totalmente abandonadas com todas as luminárias quebradas pelos frequentadores que se encontram na escuridão de nosso desinteresse. O mato esconde o lixo jogado nas margens do rio, o cheiro de esgoto se confunde com o das cozinhas que não recebem acompanhamento ou mesmo orientação da vigilância sanitária, a cerca que circunda o parque está também estourada em vários pontos, os passeios por onde queremos nos exercitar têm rachaduras, buracos e degraus perigosos para os idosos, e os bolsões de estacionamento recebem os tais adolescentes que não têm nenhum acompanhamento da nossa guarda civil em suas nem sempre boas formas de diversão e agora, a nova ciclovia nos convida a cair ou desviar dos bueiros com desníveis, localizados ao longo do caminho.

Mas terrível mesmo são os carros, motos, caminhões e motocicletas que circulam praticamente dentro do nosso Parque da Rua do Porto e pior, em via pública, autorizada, aberta ao transito local, num frenesi de vais e vens, de forma totalmente imprudente e perigosa, destruindo completamente a proposta de um local de descanso e de lazer.

Já no mundo da exploração do turismo gastronômico, a consciência é menor do que a preocupação com a própria reputação. O exemplo dos peixes expostos em churrasqueiras improvisadas ao relento, sem as mínimas condições de higiene, sem torneiras para os churrasqueiros lavarem suas mãos, sem critérios de conservação de alimentos, esses mesmos peixes que vão e que voltam no dia seguinte, recebendo aportes de molhos inventados para recomporem sua textura nos remetem ao mundo do descaso onde de novo, ninguém parece se importar. A comida é ruim e a apresentação dos pratos servidos debaixo de lonas terrivelmente sujas e mofadas ainda é pior. Os pratos prontos atravessam a rua pelas mãos dos garçons que os permitem serem temperados pelo pó a caminho do turista, que nunca vê o que come. O Cuscuz, prato típico da Festa do Divino de Piracicaba, é servido como uma massa mole, disforme, com gosto ruim, feito na maioria das vezes com sobras e sem nenhuma decoração como as tradicionais fatias de tomates, ovos, azeitonas, palmitos e cheiro verde. Um pecado contra nossa tradição cultural.

Eu me importo com isso, reclamo, oriento, mas estou sendo vencido pela tendência massiva do consumo e pela falta de visão dos comerciantes. Muitos churrasqueiros me conhecem pelas minhas críticas incansáveis, explicando o básico da conservação de alimentos e das agruras que cometem contra os pescados desidratados pelo vento e pelo calor. Insisto por que sou Piracicabano e apaixonado pelo local, somente isso.

Há o que se fazer, quem não sabe como, pode copiar.

Em Castellón de La Plana, cidade às margens do mediterrâneo, na comunidade Valenciana, na Espanha, com 100.000 habitantes, existem 07 bolsões de estacionamentos subterrâneos construídos e explorados pela prefeitura local, que suportam todos os automóveis que outrora poluíam o visual da cidade e hoje se escondem debaixo da terra. As calçadas aumentaram na sua largura e receberam arborização e floreiras lindas cuidadas por jardineiros da prefeitura e por comerciantes que também zelam pela sua conservação e ganham com isso. Nos passeios, vemos cidadãos orgulhosos e felizes andando tranquilos, contemplando a arquitetura resgatada de suas origens e completamente restaurada pelas Associações do Comércio que recebem incentivos do Governo e presenteiam a comunidade com o resultado de suas obras. Os restaurantes recebem capacitação, acompanhamento e certificações e sem estas não podem operar. A população agradece.

Os edifícios construídos em terrenos que possuem áreas três vezes superiores à área construída, têm painéis com células fotovoltaicas de aproveitamento de energia solar e de transformação em energia térmica. Uma linda estação de trem, moderna e eficiente recebe os visitantes da região que vêm para curtir o local. A polícia, tranquila simplesmente faz a sua parte. Simples, mas competente, orientando e cobrando bons comportamentos dos turistas e cidadãos.

Vamos começar então por aqui, com o que podemos, conclamando a população Piracicabana para um ajuste de sua cultura, uma revisão de comportamento, uma mudança de visão, um redirecionamento de rota, para que todos possam num futuro próximo, receber de volta o que hoje plantamos.

O parque da Rua do Porto de Piracicaba será ainda mais o nosso orgulho, um cartão postal que mostrará a todos o verdadeiro compromisso do povo Piracicabano com o respeito à natureza e com a conservação de seu próprio patrimônio cultural.

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