Por Carlos Giordano Jr.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Acalanto

Carlos Giordano Jr.

Maresias, Verão de 2012


Reluz a manhã no verde da serra
Eclodindo em sons, aromas e cores de vida
Numa beleza plácida, suficientemente calma
Nessa serra que se debruça sobre o mar
A consumir-nos os olhos em azuis absolutos
Num horizonte reto que de tão reto, em curva se encerra
Em quietude, céus e nuvens, no fio doce dessa terra.

Nos quintais, roupas tristes balançando ao vento
Cansadas de tanto confiar no Sol que nunca vem
Miram rosas despetaladas que não serão entregues
Pelas mãos nobres de homens rudes
Que mesmo antes de acordarem, já se lançaram ao mar
Buscando sempre dias melhores em festa
A colher os frutos do suor presos nas redes da fartura

Na mansidão e no balanço de um azul infinito
A pele enruga a face numa esperança cálida
Por mais uma jornada escaldante, jamais derradeira
Onde a vontade supera a dor e o cansaço
Alternando o sim e o não em constâncias intermináveis
Desejando eliminar os perigos ocultos do amanhã
Nesse sonho de agora com o que talvez nunca seja

Quero vive-la também assim, a esgotar meu pranto
Revelando o desejo de sentir a vida docemente bela
Em cada instante puro, descobrir meu manto
Espelho d’alma, infinitamente branda
Para sempre, enquanto o sempre for anseio
Dos quereres eternos de paz e bênçãos de Nosso Senhor
Num derradeiro e mortal prazer de ser feliz

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