Por Carlos Giordano Jr.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Febre do ouro negro acabando com o planeta

Por Carlos Giordano Jr.

Assistimos perplexos o maior desastre ambiental de todos os tempos no Golfo do México, promovido pelo descaso das autoridades governamentais americanas. O acidente com a explosão da plataforma petrolífera DeepwaterHorizon em Abril de 2010 e o vazamento de milhões de toneladas de óleo cru, expos à revisão de análise de todo o complexo mundo milionário da indústria do petróleo. E o que mudou?

A BP, antiga Anglo-Persian Oil Co. fundada em 1909 (Iran), depois agigantada com o nome de British Petroleum, detentora da marca Castrol, uma das maiores empresas do mundo, expos dessa maneira a sua ineficiência operacional, sua incapacidade de lidar com acidentes e um total descaso com a natureza. Obrigada a manter, por pressão de Barack Obama, um fundo de reserva de US$20 bilhões para indenizações de toda cadeia de pesca e turismo do Golfo, foi multada em novembro passado. O acordo fechado entre a empresa e o Departamento de Justiça americano foi confirmado pela BP, e o montante a ser pago será o maior da história dos Estados Unidos - 4,5 bilhões de dólares. Amargo prejuízo.

Curiosamente, naquele mesmo ano a BP anunciou a compra de ativos da Devon Energy no Brasil, permitindo-a juntar-se a ExxonMobil, Repsol, Galp e outras parceiras da Petrobrás na exploração do tão discutido Pré-sal na bacia de Campos - RJ. E foi aprovado pela nossa ANP.

As áreas técnicas na ANP envolvidas no tema forneceram, após avaliação dos trabalhos realizados pela BP para conter o vazamento no Golfo, pareceres favoráveis ao pedido de transferência dos direitos de exploração da Devon para a companhia britânica.

Em nota a ANP divulgou: "A diretoria concordou com os órgãos técnicos da agência, que a BP preenchia os requisitos técnicos, econômicos e financeiros exigidos".

A plataforma do Golfo do México tem 1,5 km de profundidade. No Brasil do Pré-sal, assistiremos a exploração em águas que ultrapassam, acreditem, 7 km de profundidade.

O Brasil é hoje detentor, juntamente com a Noruega (país com uma das maiores rendas per capitas do mundo) da mais alta tecnologia de perfuração de petróleo em plataformas marítimas, porém isso não basta. Precisamos aprender muito mais antes de cometermos mais erros.

A Shell acaba de receber o prêmio indesejado de “a pior empresa do planeta”. A indicação ocorreu pelo perfil da empresa em estar envolvida em projetos arriscados e sempre sujos, expondo sua reputação ao descrédito ao se colocar à frente de projetos vulneráveis ao planeta. Os projetos da Shell de exploração no Mar Ártico geram toneladas de emissões de CO2, mesmo considerando que as reservas calculadas no Ártico são suficientes para só três anos. No entanto, responsabiliza-se pela extinção de espécies da fauna e expõe ao risco cerca de 4 milhões de habitantes da região.

O Public Eye Award mostra que o público que votou nessa escolha, está de olho na Shell e que sua teimosia vai continuar a ser objeto de sanções por parte da opinião pública, divulgou Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace International.

Ao investirmos em ações de Cias Petrolíferas, como a BP e a Shell, imaginamos poder contar com os dividendos advindos do êxito de suas operações. Mas nos acostumamos a assistir incautos os investimentos maciços em mais de 4 mil plataformas de perfuração de petróleo somente no Golfo do México, afim de oferecerem energia suja aos maiores consumidores mundiais de petróleo do mundo – os americanos. Mas não sabemos muito bem conviver com o fracasso ou com o prejuízo. O mundo agora espera que a BP não sobreviva à essa crise.

Cenário Nacional

No Brasil a ANP, Agência Nacional do Petróleo, inquirida na época, através de seu ex-diretor Sr. Haroldo Lima, demonstrou total falta de estrutura técnica ao demonstrar publicamente que caberia tão somente àquela agência apenas a revisão e fiscalização dos processos de contenção de acidentes ou mesmo obrigar os players do mercado petrolífero a elaborarem planos operacionais descritos de forma a preservarem suas estruturas de acordo com normas que ainda não existem e nem vão existir em tempo hábil, pois a briga de facas já está na divisão da receita do petróleo submarino do Pré-sal pelos estados brasileiros, que plagiando os acionistas da BP ou da Shell, só contemplam os lucros, mas na hora do prejuízo, quem vai pagar a fatura será o planeta.

Magda Chambriard, empossada por Dilma como Diretora Geral da Agencia Nacional doPetróleo, afirmou que as reservas de petróleo e gás natural na área do Pré-sal,- onde estão localizados os mega-campos de Tupi e Iara - podem chegar a pelo menos 50 bilhões de barris. O volume estimado é mais de quatro vezes maior do que as reservas atuais do país.

A diretora da ANP, que já ocupou a Superintendência de Definição de Blocos da Agência, manteve a avaliação inicial já feita para o mega-campo de Tupi, de cinco a oito bilhões de barris de petróleo e óleo equivalente.

Segundo Magda, serão necessários investimentos de cerca de US$ 70 bilhões,para perfurar cerca de 500 poços e instalar oito plataformas degrande porte.

"Há estimativa de que o Pré-sal tenha pelo menos 50 bilhões de barris, cerca de quatro vezes mais volume do que as reservas atuais do país. É um grande desafio em termos de investimentos, de produção de aço e necessidades regulatórias", disse.

O chamado Cluster de Tupi, como vem sendo conhecida a área que inclui ainda poços como o de Guará, Iara e Carioca, já teve 42 dos seus quase cem campos licitados pela Agência Nacional do Petróleo.

Enquanto isso, no NE, a seca medonha, traz fome, morte e prejuízo para o País. No Sul, as chuvas torrenciais ameaçam e destroem cidades inteiras, sem que tenhamos quaisquer preocupações preditivas com tragédias. E daí, companheiro?

As mudanças climáticas, motivos de fortes estudos mundiais, apenas evidenciam o que a Natureza nos oferece em troco daquilo que a causamos.
Mas algo vai mudar. O cenário, como sempre.

Os processos de enriquecimento advindos da indústria do petróleo agora deram margens para outras interpretações no cenário mundial. Temos que aprender algo com nossos erros.

Os bio-combustíveis brasileiros como o Etanol, as fontes de energias renováveis, a reciclagem de materiais, as modificações nas estruturas de construção civis, focadas agora em materiais “verdes”, casas ecologicamente corretas com consumo de energia zero, energia eólica tão bem explorada sustentavelmente na Holanda, energia solar com placas eletro-voltáicas instaladas por lei nos telhados dos novos edifícios espanhóis, aquecimento de água por painéis solares, o uso de hidrogênio líquido, retirado da água para mover veículos na Europa, veículos híbridos com motores elétricos já em uso em vários países e os combustíveis verdes com tecnologia nacional que retiram óleo diesel e gasolina da cana de açúcar, fazem qualquer um repensar no que teremos pela frente.

Pense em mudar seus hábitos,recicle suas idéias e salve o Planeta.

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