Por Carlos Giordano Jr.

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terça-feira, 8 de julho de 2014

Conquista do Nada

Por Carlos Giordano Jr.

Ora, ora, que triste e vergonhosa realidade...

Assistimos desolados nosso rico País se entregar ao declínio aniquilante, absoluto e revoltante da diplomática e internacionalmente conhecida maneira de nos projetarmos no cenário internacional através do esporte.

O esporte proporciona a integração política, social e cultural de todos os povos, sempre que, naturalmente, numa competição internacional, se colocam em questão, toda competência e capacidade de vencer de cada País, dando imensa oportunidade de demonstrar ao mundo o nível de sua estrutura administrativa.

Nosso cenário, hoje refletido impiedosamente nos principais matutinos mundo afora, retrata nossa total incapacidade de gerirmos nossos inesgotáveis recursos enquanto sociedade emergente ou classificada como desenvolvente. A forma de condução de temas sociais tem sido voluntariamente castigada pelos resultados colhidos na safra podre da corrupção, no abandono dos conceitos de ética, honra e honestidade, na inversão de valores comportamentais, no descaso enfermo da incompetente ordem jurídica de se fazer uso da nossa já desgastada Constituição.

Com a bola no chão, partimos com alguns milhões de nossos já arrombados bolsos, para financiarmos meramente uma estúpida tentativa de resgatarmos publicamente valores já extintos da nossa doente administração. O governo, tentando fazer festa com o choro do povo que padece por aqui indignado afogando suas magoas no balcão do bar, despeja milhões de reais numa aventura rumo ao nada. A Seleção Canarinho agradece o empenho e o desencaixe de verbas do tesouro, nos presenteando com um quase medíocre futebol de várzea, que se por ordem Divina não acontecessem os gols, teriam sido também, júbilos louros meritórios de vitória incontinente, individualista e corajosa de alguns atletas que por terrível engano não tiveram acesso aos assédios milionários da mídia dos Neymares machucados ou dos Freds Brasileiros que de presente nos deram as suas ausências.

No apito inicial da peleja inaugural de nossa melhor competência, o futebol, já tínhamos queimado boa soma em viagens, hospedagens em hotéis luxuosos, muita mordomia e demais absurdos que culminariam em uma péssima apresentação. Placares mixurucas de quase nada. Perdeu e não convenceu ninguém. Nem um pouco de circo para nós nos alegrarmos e continuarmos nos imaginando o País (mais corrupto) do futebol.

Perdoem-nos por esse tal cabelinho de pica pau chamado Neymar, por seu fraco empenho frente a Seleção Canarinho, pela sua não muito corajosa dedicação, e os jogadores que coitados, não tiveram tanta sorte para que a bola tivesse entrado sozinha no gol adversário, nos presenteando com o campeonato. Mas por favor, humildemente se envergonhem disso, demonstrando ao povo brasileiro que com o erro se aprende. Joguem com amor, com vontade de campeão ou vão trabalhar na construção civil, no cais de Santos como estivadores, ou no cabo de um facão no corte de cana em Piracicaba, mas deixem-nos em paz, não nos permitindo sofrermos pela vergonha de sermos brasileiros.

O gasto advindo dessa grande demonstração de desafeto para com a Nação impossibilitará a construção de cerca de milhares de casas populares que abrigariam seguramente muitos brasileiros, que hoje vivem sem esperanças de conseguirem um teto.

Nessa corrida rumo ao desconsolo, demonstramos nossa incapacidade por não conseguirmos produzir sequer uma manifestação de força, de união, de prestígio, de garra contra tudo e contra todos os que jogam contra nossa vontade ou simplesmente uma mera manifestação de coragem. Seguimos protegendo os incapazes, dando explicações de nosso fracasso a quem gostaria de ver somente nosso bom futebol ou pelo menos alguns de nossos atletas sendo dignamente reconhecidos por seu paupérrimo esforço.

Parabéns ao povo brasileiro pela conquista do nada. Porém, com a conquista da consciência ou sem ela, acreditamos que o espírito do povo brasileiro será ainda mais nobre do que esse podre troféu ao colocarmos para fora do banco de reservas, deixando fora do jogo, aqueles que competirão entre si, para conseguirem um lugar ao sol na administração pública, seja como Prefeito ou como Vereador, como Deputado ou Senador, ou principalmente como President(a) da República e ao final do mandato, infelizmente com o nosso apoio, terão novamente nos presenteado com uma linda medalha de latão pela conquista do nada.

Agora, começa o horário político, para sua distração.
Assista e veja do que estou falando.
Muda Brasil!!!

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